Gaelle de Laveleye  e Oriane Wedd fazem parte de “Reserved Exposure”, uma instalação única no quarto #102 do Pestana CR7 Lisboa. No dia 18 de maio, entre as 14:00 e as 20:00, convidam-te a fazer o check-in e deixar-te envolver na experiência performativa curada pela OTOCO e produzida por quatro artistas sedeados em Lisboa.

Como descrevem a intervenção do quarto #102?

Oriane Wedd: É uma intervenção artística com performance e presença de som, vídeo e objetos. De facto, vai além do quarto, enquanto os convidados são acolhidos na receção criada para a ocasião no CR7 Corner Bar, e conduzidos até ao ginásio e ao quarto. Para quem já conhece o hotel, é uma boa oportunidade para o ver num contexto diferente. Para quem nunca entrou, é a ocasião perfeita para conhecer. Este é um hotel ligado ao desporto, a Cristiano Ronaldo – mas isso não deve excluir outros aspetos como arte e cultura. Esta qualidade é um tema central na nossa intervenção: múltiplas fachadas, várias dimensões de realidade, coexistindo no mesmo espaço e ao mesmo tempo. Isso é mais visível no trabalho da Mary Stephenson,  uma visão surreal da vida que sobrepõe camadas ao próprio hotel – o que vai fazer mais sentido quando vires com os teus próprios olhos!

Gaelle de Laveleye: Quatro artistas a trabalhar sobre um tema único, mas a interagir entre eles. Queremos criar uma experiência imersiva, dar a descobrir um trabalho artístico num contexto que não está associado a arte.

Porque fazem a intervenção num hotel e não numa galeria?

OW: Porque é que a Arte deve ser apenas exposta em galerias? Onde há pessoas e espaço, pode existir Arte. O projeto OTOCO é isso mesmo. Queremos expor arte de uma forma física, mental e e emocionalmente acessível a um público mais abrangente que o que regularmente visita galerias. Acredito que os valores profundos da arte, como a autoconsciencialização ou empatia são muito desvalorizados devido às limitações de onde e como são apresentados.

GdL: Neste projeto particular, o quarto de hotel faz todo o sentido, uma vez que tem uma dimensão pública e privada ao mesmo tempo. É um lugar aberto a todos, mas é privado quando se fecha uma porta. Momentos íntimos das vidas de diferentes pessoas ocorrem diariamente no mesmo quarto inalterado. Na narrativa de Diogo da Cruz, o quarto e o ginásio desempenham um papel fundamental. Mas não vamos desvendar muito agora!

OW: O Pestana CR7 adapta-se perfeitamente, porque há essa dimensão tecnológica nos quartos e no bar. É muito coerente com a obra do Diogo.

Que mensagem pretendem transmitir enquanto artistas?

OW: Refletir um pouco sobre a realidade que a tecnologia nos apresenta, reconhecer que os algoritmos determinam a maior parte daquilo a que estamos expostos online. Com a recente exposição do caso Cambridge Analytica, que usou os dados de Facebook de forma não autorizada para fins políticos, isto já não é uma ameaça que se possa ignorar. Um bom ponto de partida é perceber que o que o meu newsfeed me diz não é toda a verdade.

Como acham que as pessoas vão reagir?

GdL: Até agora, as pessoas a quem falámos pareceram admiradas e cuirosas sobre como os diferentes trabalhos de cada artista vão interagir entre eles e o espaço. Apesar de o tema ter um lado obscuro, possui também um sentido de humor na forma como nos dirigimos a ele. Nós, os quatro artistas, vamos estar presentes enquanto personagens. O aspeto performativo varia de artista para artista, em alguns casos é mais subtil, advertindo os visitantes a questionar a verdacidade daquilo que estão a ver e ouvir. Noutros casos é inteiramente surreal e quase absurdo. Queremos que surjam perguntas e convidamos todos a fazê-las!

Este projeto é um “work-in-progress” ou tem aqui um fim?

OW: É um evento que dura um dia, é impossível de reproduzir exatamente, uma vez que depende da presença e interação com os visitantes. Mas as obras que apresentamos existem noutro contexto. Por exemplo, a continuação das máscaras criadas pela Gaelle e por mim vão ser expostas no espaço OTOCO. Vamos convidar todos os que aqui vierem para nos seguirem no dia seguinte no evento criado entre as 16:00 e as 20:00. Para mais informações vai a www.otoco.org.

GdL:  A ideia do OTOCO é mesmo levar as pessoas que geralmente não interagem com arte a ser impactadas pelo que experienciam. Isso pode ser concretizado ao expor arte em locais pouco habituais e ao organizar eventos que encorajam a reflexão sobre porque / o que / como tais peças são criadas.

O que vos atrai em Lisboa?

GdL: Eu gosto da cultura portuguesa porque é uma cultura forte. É um pais que está no fim da Europa e que é muito internacional. Uma das coisas que me fez vir para cá foi saber que havia esse movimento artístico a despertar. Muitos portugueses que foram para fora estão a voltar com conhecimento diferentes; muitos estrangeiros estão aqui para mudar alguma coisa na sua vida. As conexões fazem-se muito facilmente.

O que gostavam de melhorar no mundo?

GdL: Para mim é autenticidade, em todos os aspetos da vida. As pessoas estão a tornar-se demasiado calculistas, quadradas.

OW: Eu diria abertura. Capacidade de olhar para uma coisa e não se fechar diretamente, dizer mais do que “gosto” ou “não gosto”.

Que tipo de desporto praticam?

GdL: Acabo de sair do mar, faço surf.

OW: E eu quero fazer mais surf! Mas algo muito importante para mim é o movimento, a dança e o ioga despertam sempre os meus sentidos e permitem-me fazer ligações que não faria usando apenas o meu intelecto.

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